A Enxada e a Lança: Afreica antes dos Portugueses (zanatta berbere)


                                                                              A ENXADA E A LANÇA: a África antes dos Portugueses.
                                                                                               Autor: Alberto da Costa e Silva.
                                                                                                           ZANATTA BERBERE
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                As escavações revelam a história de uma contínua diminuição do abastecimento de água. No princípio, eram numerosas as cacimbas de forma circular. Praticamente cada pátio doméstico possuía cisterna. Estas secaram e foram tapadas. Abriram-se, então, poços maiores, coletivos, com profundidades que podem atingir oito ou mais metros. Depois, fizeram-se, entre as casas, calhas e depósitos para aproveitar a água das chuvas. Não só o clima tronara-se mais árido; aumentara o consumo de água, pois crescera o número dos usuários, o volume dos rebanhos em torno da cidade e a extensão da área cultivada.
                Quando os azenegues conquistaram Audagoste, a aparência da cidade – “encantadora”, segundo Ibne Hawkal – era a de um vergel. Onde os nômades, muito provavelmente, se guardaram de viver. Acampavam à sua borda, em tendas ou em precários abrigos de caniço e de ramos. Mas tinham sob controle o acesso à urbe e lhe taxavam o comércio, cuja prática deixavam nas mãos dos Zanatas.
                Por um período sobre a qualidade do ébano e por outro sobre a dupla semeadura anual, sendo parte, portanto, de uma sequência descritiva das condições do reino.
                De rostos cobertos com um véu – que os árabes chamavam de litham -, os azenegues, com seus camelos, controlavam não apenas as rotas cáfilas, e os oásis, e os poços do deserto, mas também as grandes minas de Tagaza e outros depósitos de sal-gema, formados em depressões onde outrora houvera lagos.
                Donos do sal, detinham os sanhajas a mola do comércio transaariano. Os grandes mercados, no entanto, estavam, nas cidades do sul do Magrebe, nas mãos dos berberes zanatas, e no Sael, em parte nas dos saracolês.
                Na segunda metade do século IX, ao azenegues assenhorearam-se pela primeira vez do nó caravaneiro de Audagoste, uma pequena cidade, fundada talvez um ou dois séculos antes, mas que já seria um centro agrícola, artesanal e mercantil de importância, uma das principais portas do comércio com o Sudão. Daí por diante, e por muito tempo, Audagoste progrediu, até desaparecer , uns seiscentos anos depois.
                Ficava – conta-nos Al-Bakri – numa planície arenosa, ao pé de um monte desnudo de qualquer vegetação. Mas ao redor da cidade havia bosques de tamareiras. E nela não escasseava a água doce. Cultivavam-se o milhete, as figueiras, o pepino, a hena. O gado, vacum e ovino, era abundante. O mercado vivia cheio de gente e nele se pagava em ouro. A população era de várias origem, com bonitas mulheres, de cintura fina e nádegas cheias. E por toda parte havia belos edifícios e casas elegantes.
                A atividade manufatureira devia ser intensa, embora Al-Abkri só nos dê...
Voltaram a atenção, apenas assegurado, em 708, o domínio da África do Norte. Segundo Ibne Abd al-Hakam, que escreveu, no século IX, a crônica dos feitos sarracenos, um governador do Magrebe, Ubaid Alá bin al-Habbab, enviou, em 736, uma expedição ao Suz e ao país dis negros, chefiada por Habib ibne Abi Ubaida al-Fihri. Este teria voltado coberto de ouro. Seu filho, Abderramane, organizaria, para uso dos árabes, uma pista caravaneira entre Sijilmesa e Audagoste, recuperando poços antigos e furando cacimbas novas. Isto, por volta de 745.
Bibliografia:
A enxada e a lança: a África antes dos Portugueses.
Autor: Alberto da Costa e Silva.

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